30.01.2017

Contracartografia e a experiência de mapear o poder

André Mesquita

Em uma era totalmente mapeada como a nossa – onde os territórios de todo o planeta estão sendo cuidadosamente dimensionados, registrados e vigiados por satélites militares, em aplicativos com o uso de GPS, pelo Google Maps, por departamentos de defesa e agências de segurança, por que precisaríamos fazer mais mapas? Em que os mapas criados por artistas e movimentos sociais se diferenciam ou contestam as cartografias oficiais dos governos, impérios e instituições? Como as ferramentas cartográficas podem ajudar as nossas lutas políticas?

O ato de cartografar preocupa-se em produzir conhecimento que é projetado e distribuído em um mapa que as pessoas possam usá-lo. Visualizar, conceituar, registrar, representar e criar graficamente espaços são atos de mapeamento. 1. Todavia, um mapa não é uma imagem objetiva e neutra do mundo. Como bem notou o historiador Brian Harley, estamos acostumados em pensar nos mapas como representações exatas e acuradas da realidade, 2 quando essas representações carregam erros, omissões, pontos de vista e valores. 3 Por trás de um mapa esconde-se um conjunto de relações de poder com especificações impostas por um indivíduo particular, pelo mercado e/ou pela burocracia do Estado. Se os mapas são vistos como “espelhos da verdade” é porque por trás de suas imagens existem instituições que trabalham para que isso possa acontecer – dos estados às elites políticas, militares e acadêmicas. E em geral, os mapas desses agentes servem aos interesses de vigilância, autoridade e governança, sendo usados para ordenação e domínio territorial, para a consolidação do poder de blocos econômicos, para validar o controle privado dos espaços públicos, para a legitimação de fronteiras e a exploração de recursos naturais e bens comuns.

Recentemente, a CIA (Agência Central de Inteligência) liberou uma coleção de mapas que foram desclassificados pelo seu Centro de Cartografia 4 e que durante 75 anos foram usados como documentos confidenciais para análise geoespacial, extração de dados e espionagem. Os mapas da CIA são parte de um saber oculto utilizado para a execução de missões secretas, serviços de inteligência ao redor do mundo e, claro, como uma imagem de persuasão militar de um governo sobre o público. Vistos em conjunto, esses mapas mostram detalhes e informações sobre a maioria dos conflitos ocorridos durante a Segunda Guerra Mundial (1938-1945) e a Guerra Fria (1945-1991), como a crise dos mísseis de Cuba (1962), a Guerra da Coreia (1950-1953) e a Guerra do Vietnã (1955-1975). Uma das imagens publicadas na página da CIA talvez evidencie ainda mais a estrita relação entre mapas e o poder do Estado. Em uma foto de 29 de setembro de 2001, o então Presidente George W. Bush aparece com George Tenet, diretor da CIA, a Conselheira de Segurança Nacional, Condoleezza Rice, e o Chefe de Gabinete Andy Card. Um mapa aparece sobre a mesa em que estão reunidos. Após os atentados de 11 de setembro, é de se supor que essa imagem registra um encontro onde as primeiras linhas estratégicas da invasão militar americana no território afegão, iniciada em outubro daquele ano, estavam sendo traçadas sobre um mapa.

Mapa de 1963 usado pela CIA indicando “as forças soviéticas em Cuba”.

Mapas em disputa

O arquiteto Eyal Weizman observa que territórios são governados pela produção e disseminação de conhecimento tanto quanto pela força militar, e os mapas são uma das principais ferramentas para a compreensão e a governança desses territórios. Weizman comenta que a tentativa dos militares e tecnocratas de Israel em desenhar mapas desde a Guerra dos Seis Dias (1967), quando a cartografia tornou-se uma obsessão nacional, foi impulsionada por uma visão expansionista do território onde se entrelaçam “o conhecimento da terra e as ambições para possuí-la.” 5. As informações que eram transferidas para os mapas começaram a influenciar os próprios limites do território, para ajustá-lo de acordo com o que estava desenhado no papel. Como resultado, a espacialidade do território palestino ficou subordinada à cartografia israelense. “O que estava sem nome no mapa deixou de existir como parte do campo político 6”, diz Weizman. Edifícios e vilarejos foram removidos dos mapas oficiais e destruídos, pois a bidimensionalidade das representações cartográficas foram “espelhando e formando a própria realidade que elas pretendiam representar.7

O enunciado de Weizman sobre “espelhar e formar a realidade” assinala a condição de que mapas produzem, e mesmo precedem, o território – seja na guerra, seja em nossa vida cotidiana. Formar essa realidade implica em distorcê-la e apagá-la. Mapas envolvem presenças e ausências, constroem conhecimento sobre um território para dominá-lo 8. Observe o Google apresentando manchas vazias em seus mapas através de distorções em partes específicas de uma imagem para esconder, por estratégia e segurança, a localização de cidades no Oriente Médio, ou como no caso da base aérea militar de Volkel, na Holanda, completamente borrada. Vale lembrar que em 2010, documentos vazados pelo WikiLeaks confirmaram que essa mesma base abrigava 22 ogivas nucleares norte-americanas desde o período da Guerra Fria, fato este negado pelo governo holandês 9.

Se em nosso momento atual os debates sobre as “disputas de narrativas” colocam em questão sobre qual versão dos acontecimentos prevalecerá em nossa história, a cartografia parece passar por um problema parecido. Os confrontos entre os mapas têm efeitos e consequências sobre populações e territórios, e por isso tal disputa não é apenas objeto de debate entre especialistas ou circunscrita à disciplina cartográfica. O geógrafo e ativista Sebastian Cobarrubias identifica nessa disputa aquilo que ele denomina de “combate de cartografias”. Para ele, mapas de artistas e movimentos sociais não só prefiguram e inscrevem novos territórios e espaços, como também entram, muitas vezes, em disputa com outros mapas. Esta competição entre mapas, explica Cobarrubias, “torna-se uma luta, não apenas sobre um território que já existe, mas sobre qual território atualmente existe ou irá existir. O que está em jogo nesses combates, portanto, são duas ou mais configurações de competição de território e a sua realização” 10. Assim, parto da constatação já amplamente discutida de que a cartografia sofreu uma mudança significativa no século XX justamente porque passou a ser usada cada vez mais por artistas e movimentos sociais em consonância com a disputa e a produção de novos imaginários e territórios 11.

Se o Estado usa a cartografia para ocupar, destruir ou controlar, porque não podemos subverter e usar as ferramentas cartográficas a favor das lutas sociais, valorizando um processo colaborativo e dialógico de produção de mapas? Ao invés de apenas aceitar a autoridade dos mapas imperiais e militares, por que não fazer da cartografia uma prática coletiva e comunitária, capaz de mapear redes invisíveis de poder e sistemas de opressão em que todos nós estamos sujeitos? Inverter a imagem do próprio mapa oficial e os interesses de dominação do uso da cartografia são atos que reconfiguram as articulações entre ação política e a possibilidade de imaginar o mundo desde abaixo.

Para além da representação

O que denomino aqui de contracartografia opõe-se aos modelos tradicionais de mapas fornecidos por estados e elites e à atividade puramente científica e acadêmica, defendendo o argumento de que em uma era de disputa por narrativas, os mapas podem ir além do tema da representação e do objetivo de criar uma única imagem finalizada. Desconstruir e reconstruir o mapa alargando o seu território crítico, recusando as convenções estabelecidas e propondo novos usos e conteúdos, são etapas de uma ação que leva ao apontamento das condições sociais, políticas e econômicas que queremos criticar, evidenciar e transformar. Contracartografias são os equivalentes virtuais a máquinas ou softwares de código aberto que “podem ser modificados, ajustados e melhorados por qualquer um com conhecimentos de programação”12, estando em desenvolvimento contínuo por seus usuários.

Para a artista Jayne Hileman e a historiadora da arte Rebecca Zorach, contracartógrafos “respondem às maneiras como o poder obscurece a si mesmo criando adaptações transgressivas dos mapas e usando as tradições científicas da cartografia para subverter a autoridade” 13. A meu ver, contracartografias quebram com essa tradição científica. Essencialmente, essa transgressão da disciplina cartográfica pelo contracartógrafo pode ajudar a confrontar os mapas geopolíticos oficiais para expor as relações de domínio e exploração capitalista em territórios controlados, traçar diagramas ligando os protagonistas de redes globais obscuras, empresas e os fluxos de transações financeiras da sociedade informacional, ou condensar informações complexas de natureza crítica em um mapa para visualizar espaços de precarização e zonas afetadas por uma série de problemáticas sociais e econômicas. Existe ainda um elemento intervencionista nos projetos de contracartografia se considerarmos a noção de intervenção, segundo o Critical Art Ensemble, como “a apropriação de material, de conhecimento e de território com o propósito de enfraquecer ou revelar as estruturas e vetores autoritários e repressivos que produzem e administram um determinado campo.” 14. Dentro de uma orientação política e anticapitalista, a resposta desses contramapas está, precisamente, em enfraquecer os poderes obscuros tornando-os visíveis, e destituir a influência dos saberes oficiais.

Contracartografias atuam de maneira tática sobre o tempo da ação e estratégica na análise das redes e do espaço para gerar uma mudança social vinda de baixo. Desconstruir a lógica política e econômica de mecanismos, organizações e hierarquias sociais para desvelar contradições e invisibilidades é a sua tarefa primordial. É esse tipo de experimento que torna também a arte política, não pela abordagem de um “assunto político”, mas porque sua expressão sensível e intuitiva é capaz de explicitar a verdade e a violência que estão por trás de zonas interditas.

Um caso bastante exemplar da articulação entre contracartografia, ativismo artístico e a produção de intervenções sobre as invisibilidades da violência militar, capitalista e institucional sobre o espaço urbano ocorreu em 2004 em Barcelona. Financiado em bilhões de euros, o Fórum 2004, chamado também de Fórum Universal das Culturas, foi um dos grandes projetos espetaculares patrocinados pelo neoliberalismo naquela cidade. A transformação urbana de Barcelona em “marca” e sua afirmação como cidade de serviços desde as Olimpíadas de 1992, aberta a inovações arquitetônicas e tecnológicas, não conseguiu ocultar um território cheio de injustiças, privilégios corporativos e contradições de um megaevento com uma falsa inspiração política nos fóruns sociais mundiais, com seu caráter de entretenimento e a manipulação de palavras como “sustentabilidade” e “diversidade cultural”. Realizado à beira-mar, próximo ao bairro popular de Poble Nou, o Fórum 2004 acionou interesses econômicos e turísticos na cidade e o apoio financeiro de empresas como ENDESA (empresa de eletricidade espanhola e principal apoio do fórum), Telefónica, IBM, Nestlé, Coca-Cola e Toyota. A realização do Fórum 2004 valorizou as operações urbanísticas de Poble Nou sem quaisquer benefícios para seus moradores, aumentando o processo de gentrificação e expulsão das famílias do bairro.

O que parecia a esses patrocinadores uma possibilidade de administrar a sua imagem como um negócio vantajoso para benefícios fiscais e publicitários, para a comunidade local, o fórum representou uma grande impostura comercial ou, de acordo com a Assembleia de Resistência ao Fórum 2004, a transformação da marca Barcelona em um “novo modo de dominação política”, em um “laboratório do fascismo pós-moderno” pago com recursos públicos mas gerido a partir de um modelo e a favor do capital privado 15. Coletivos e ativistas participantes da Assembleia de Resistência começaram a organizar ações com o propósito de revelar a farsa do projeto do Fórum 2004 e de suas redes mantenedoras. Em novembro de 2003, um encontro realizado com grupos e movimentos sociais levantou algumas ideias para a construção coletiva de um mapa da precariedade de Barcelona, mostrando as ligações dos patrocinadores do fórum com serviços empregatícios, negociantes de armas, instituições e empresas denunciadas por agressões ao meio-ambiente, especulação do espaço urbano e a economia de guerra. Usado como ferramenta para potencializar uma campanha contra o Fórum 2004, o mapa ¿De qué va realmente el Fórum? foi projetado como um mapa de ação, ou “uma imagem dissidente de caráter metropolitano que anula o mapa turístico e o mapa administrativo para substituí-lo por uma espécie de ‘cartografia pirata’. 16

Distribuído nas ruas e entre coletivos a partir de 19 de março de 2004, ¿De qué va realmente el Fórum? mostra, de um lado, um mapa físico de Barcelona indicando os endereços dos escritórios das empresas patrocinadoras do fórum e suas descrições, além de zonas de conflito com focos de repressão e exploração trabalhista. Do lado inverso, um dos mapas assinala conexões entre as empresas e instituições do fórum com a situação dos imigrantes que vivem em Barcelona em condições ilegais, onde muitos formam a mão-de-obra barata das corporações patrocinadoras. O mapa também indica o nome de companhias aéreas espanholas que participam da deportação de imigrantes. Um diagrama maior expõe as relações do Fórum 2004 com a economia de guerra, mostrando os vínculos de seus patrocinadores e associados financeiros (La Caixa, Deutsche Bank, Telefónica, BBVA, etc) com empresas armamentistas como Indra, General Electric, Lockheed Martin e Espelsa. Todo esse conteúdo crítico do mapa e sua capacidade efetiva de alcance político – com mais de 50 mil exemplares distribuídos – levaram os diversos colaboradores em sua construção a disparar um conjunto de intervenções 17.

Baixe o mapa de ¿De qué va realmente el Fórum? aqui: http://www.sindominio.net/mapas/es/mapa_es.htm

Baixe o diagrama completo aqui: http://www.sindominio.net/mapas/es/esquema_es.htm

Em uma dessas intervenções, “inspetores” da Assembleia de Resistência entraram vestidos com macacões brancos no escritório de um dos patrocinadores do fórum, a Indra, companhia de fabricação de armamentos e uma das principais beneficiadas pelo orçamento militar espanhol, sendo também provedora de sistemas de defesa, vigilância e segurança tecnológica para a Marinha dos Estados Unidos. No dia 29 de abril de 2004, os ativistas ocuparam o prédio da empresa em Barcelona e desinstalaram computadores e telefones. Colocados em caixas de papelão, os equipamentos foram lacrados e marcados com a frase “Perigo! Armas de Destruição em Massa”. Um texto publicado no mapa ¿De qué va realmente el Fórum? foi lido por um dos inspetores para descrever a condição da Indra como empresa militar. Ao final da ação, o inspetor relata que a chamada Assembleia Permanente Contra a Guerra propõe “sinalizar os principais atores da guerra global, investigar e tornar públicas as implicações da economia de guerra e desmantelar completamente seus centros de operação. […] A Indra, colaboradora do Fórum 2004, coloca o fórum intimamente implicado na política de guerra.” Em seguida, entre junho e setembro de 2004, os ativistas da Assembléia realizaram um Forumatón, convocando turistas, estudantes, trabalhadores e imigrantes para manifestarem sua desaprovação com o fórum. Pessoas posaram para fotos segurando faixas com as frases “o Fórum é um negócio”, “o Fórum é uma merda” ou “o Fórum é a guerra”. As imagens foram reproduzidas em jornais espanhóis e circularam pela internet, funcionando como uma contrapropaganda do evento.

Como procurei afirmar, uma contracartogafia é menos um objeto visual que acumula informações e mais uma oportunidade de ir além da própria representação dos mapas tradicionais para gerar diálogos e descobertas, potencializando suas narrativas em conjunto com as intervenções nos espaços públicos. Sua prática é tanto uma crítica de como os mapas funcionam como um meio de gerar novas modalidades de pesquisa, colaboração e organização 18. Mapear o poder de formas diferentes e coletivas é uma maneira de reapropriar-se criticamente dos mapas. A reapropriação ativista da cartografia é uma expressão de dissenso contra o poder exercido por grupos privilegiados querendo dominar outros.
Essa discussão continuará nas próximas postagens.

Notas de Rodapé

  1. COSGROVE, Denis (ed.). Mappings. Londres: Reaktion Books, 1999. P. 1
  2. HARLEY, J. B. The New Nature of Maps: Essays in the History of Cartography. Londres: The Johns Hopkins University Press, 2001. P. 35.
  3. JACOB, Christian. The Sovereign Map: Theoretical Approaches in Cartography throughout History. Illinois: The University of Chicago Press, 2006. P. 6, e LIPPARD, Lucy R. The Lure of the Local: Senses of Place in a Multicentered Society. Nova York: New Press, 1997. P. 78.
  4. As imagens dos mapas estão disponíveis em: <https://www.flickr.com/photos/ciagov/collections/72157674854602812>. Ver também a página oficial da CIA sobre o seu Centro de Cartografia: <https://www.cia.gov/news-information/featured-story-archive/2016-featured-story-archive/mapmakers-craft.html>.
  5. WEIZMAN, Eyal. “The Politics of Verticality”, 2002. Disponível em: <http://www.opendemocracy.net/conflict-politicsverticality/debate.jsp>. 
  6. WEIZMAN, Eyal. “The Politics of Verticality”, 2002. Disponível em: <http://www.opendemocracy.net/conflict-politicsverticality/debate.jsp>.
  7. WEIZMAN, Eyal. “The Politics of Verticality”, 2002. Disponível em: <http://www.opendemocracy.net/conflict-politicsverticality/debate.jsp>. 
  8. HARLEY, J. B, 2001. P. 63.
  9. “Holanda guarda 22 bombas atómicas estadounidenses en una base militar”, 10 de junho de 2013. Disponível em: <http://internacional.elpais.com/internacional/2013/06/10/actualidad/1370880646_418524.html>.
  10. COBARRUBIAS, Sebastian. Mapping Machines: Activist Cartographies of the Border and Labor Lands of Europe. Tese de doutorado. Chapel Hill: University of North Carolina at Chapel Hill, 2009. PP. 2, 3 e 8.
  11. Ver a minha tese de doutorado Mapas dissidentes: proposições sobre um mundo em crise (1960-2010), em que discuto detalhadamente as práticas de contracartografia por artistas e coletivos de ativismo artístico. Disponível em: <http://www.teses.usp.br/teses/disponiveis/8/8138/tde-15042014-100630/pt-br.php>. Inclusive, o texto que aqui apresento é uma versão derivada da tese.
  12. BARBROOK, Richard. “The Hi-Tech Gift Economy”, 1998. Disponível em: <http://www.nettime.org/Lists-Archives/nettime-l-9810/msg00122.html>.
  13. HILEMAN, Jayne e ZORACH, Rebecca. “Vernacular Mapping – Populist Artist and Artist Collective Work Relating to People’s Atlas Projects”, in AREA CHICAGO (ed.). Notes for a People’s Atlas: People Making Maps of Their Cities. Chicago: Area, 2011. P. 19.
  14. THOMPSON, Nato e SHOLETTE, Gregory (eds.). The Interventionists: Users’ Manual for the Creative Disruption of Everyday Life. Cambridge: MIT Press, 2004. P. 117.
  15. ESPAI EN BLANC. “Barcelona 2004: El fascismo postmoderno”, in ASSEMBLEA DE RESISTÈNCIES AL FÒRUM 2004 et al. La otra cara del Fòrum de les cultures S. A. Barcelona: Edicions Bellaterra, 2004. PP. 20, 28 e 30.
  16. ESCOBAR, Vicente. “Mapa de Barcelona 2004: ¿de qué va realmente el Fórum?”, in CORBEIRA, Darío e EXPÓSITO, Marcelo (eds.). Brumaria. Arte: La imaginación política radical, Número 5. Madri, 2005. P. 342.
  17. O projeto ¿De qué va realmente el Fórum? pode ser consultado aqui: <http://www.sindominio.net/mapas>.
  18. STALLMANN. Timothy. Alternative Cartographies: Building Collective Power. Dissertação de mestrado. Chapel Hill: University of North Carolina at Chapel Hill, 2012. P. 5.

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