Apresentação

Embora haja no Brasil uma tradição de desenho de mobiliário na escala doméstica desde o modernismo dos anos 50, a produção do desenho de mobiliário coletivo, próprio do espaço público configura um verdadeiro campo cego.

 

Este descompasso vem de uma crise maior: como pode haver mobiliário para espaços abertos de uso comum se as cidades renegaram por décadas tais lugares? Hoje, por outro lado, há uma redescoberta (mundial, diga-se de passagem) da cidade enquanto um espaço de convivência e lazer, em oposição à ideia de vias arteriais que conectam ambientes enclausurados e controlados por rígidos esquemas de segurança.

 

É neste momento que se evidência como o mobiliário de uso coletivo tem um vasto campo para se desenvolver. E não apenas para atender a uma demanda crescente, mas antes para refletirmos sobre nossa cultura e a forma de apropriação dos espaços da cidade. Com essa perspectiva se desenvolveu o curso Cultura, Objeto e Indústria, operando entre a escala da prancheta, do projeto e do protótipo, sua interface com a indústria e com quem constrói, como também com os usuários e a dimensão cultural-histórica nela envolvida.

Assim, na primeira fase do curso, desenvolveu-se exercícios de desenho de significativos exemplares do mobiliário moderno brasileiro, estudando suas soluções, os materiais, encaixes e possibilidades: cadeira girafa, cadeira frei egídyo, cadeira paulistano, poltrona mole, entre outras. Como metodologia, primeiro fazia-se o desenho “cego” do objeto, depois rápidos desenhos de observação, em seguida ele era “decomposto” em partes, para finalmente ser medido e as dimensões reais comparadas com aquelas deduzidas.

Na segunda etapa, os alunos, divididos em grupos, deviam projetar um mobiliário de uso coletivo que pudesse ser instalado tanto na rua General Jardim, quanto em um espaço de uso comum do SESC.  Na terceira etapa, foram apresentados os estudos para a unidade provisória do SESC Campo Limpo desenvolvidos pelo Grupo Técnico, bem como a leitura sócio-espacial da região. A partir de tais informações, foi proposto que os alunos desenvolvessem um mobiliário que aplicasse o conceito de ambientes, ou seja, que configurasse espaços e não constituísse apenas um punhado de peças soltas sem uma identidade essencial. Assim, transcorreu esta etapa até a conclusão do curso.

Em paralelo às três etapas, realizou-se um ciclo de palestras com professores convidados que abordou questões complementares aos problemas enfrentados em atelier: prof. dr. Luis Antonio Jorge, profa. Maria Cecília Loschiavo, prof. José Guilherme Pereira Leite, arq. Giancarlo Latorraca. Outra atividade complementar essencial foram as visitas a locais de produção,  permitindo aos alunos tomar contato com a vasta realidade de construção do mobiliário brasileiro. Visitou-se a marcenaria do arquiteto e designer Carlos Motta, a indústria semi-artesanal da Etel e a fábrica de móveis de escritório da Alberflex.

Neste momento, as aulas do curso foram finalizadas e os projetos entregues, passando à fase de prototipagem de algumas peças e à elaboração da exposição que reunirá o material produzido ao longo de todo o processo, bem como a experiência crítica dele.

Professores: Alexandre Benoit, José Paulo Gouvêa e Rafic Farah

Assistente de Ensino: Marina Canhadas

 

Adriana Galvanese Domingues, Beatriz Costa Hoyos, Beatriz Ribeiro de Souza Dias, Bianca Feliz Okamoto, Camila de Arruda Campos, Camila Lizot Brizot, Carla Diamante Oppido, Carolina Bosio Quinzani, Catarina Calil Breymaier, Cauê Felisberto Marins, Clara Varandas Abussamra, Conrado Cavani  Monteiro, Felipe Gregório Teixeira de Mendonça e Silva, Heloísa de Souza    Oliveira, Henrique Gabbo, Isabel Ammann Saad, Julia Giovannetti  Bruckmann Soares, Joana Coutinho, Juliana Flahr Costa  Bicudo Larrubia, Juliana Junqueira, Laura Duque Peters, Laura Tomiatti Moura e Silva, Manuela Raitelli Cruz, Marilena de Oliveira Costa Pini, Marina Menossi Baptista, Marina Schahin Coccaro, Maristella de Moura    Pinheiro, Martha Levy Rezende, Olivia Mendes Tavares, Pedro Feris Araujo, Stela Mori Neri    Silva, Tali Liberman Caldas, Vinicius Nara Pirondi, Wesley Café Calazans, Willian Paulo Fante

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